Importado x nacional: comparativo de custo antes de comprar um carro!

O preço na vitrine é a primeira linha de uma conta que tem pelo menos oito. Quem vai comprar um carro comparando só o valor de tabela entre um nacional e um importado está decidindo com 20% da informação. As outras linhas aparecem ao longo dos anos, no boleto do seguro, na bomba de combustível, no orçamento da oficina e na hora de vender.

Este comparativo não aponta um vencedor. Mostra onde cada um ganha, onde cada um perde e como montar a sua própria conta antes de assinar.

A conta certa é a de cinco anos

Especialistas em finanças pessoais chamam isso de custo total de propriedade: tudo o que o carro vai consumir do seu dinheiro entre o dia da compra e o dia da venda. Cinco anos é um horizonte razoável, porque cobre o período de maior desvalorização e pelo menos duas ou três revisões grandes.

A lógica é simples. Antes de comprar um carro, some tudo o que sairá do bolso no período, subtraia o que você recebe na revenda e divida por 60 meses. O número que aparece é o que o carro custa por mês de verdade. Quase sempre ele surpreende, nos dois sentidos.

Linha por linha: onde cada um ganha

Preço de compra. O nacional ganha na largada, e não é por acaso. O importado chega ao Brasil com imposto de importação e IPI embutidos no preço, além do frete. Por isso, um modelo que custa X no exterior custa bem mais aqui. Isso não muda com negociação; é estrutural.

Depreciação. Aqui a resposta é “depende da marca”. Um nacional popular de alto giro perde um percentual menor do valor ao ano, porque sempre tem comprador. Um importado de marca consolidada e rede grande segura o preço razoavelmente. Já um importado de marca com pouca presença no país despenca, e o comprador do zero quilômetro é quem absorve essa queda. A mesma queda, aliás, vira oportunidade para quem compra o seminovo, como veremos adiante.

IPVA e licenciamento. O IPVA é um percentual do valor do carro, então quanto mais caro o veículo, maior a conta anual. Não há como escapar disso. Carro importado de valor elevado paga IPVA de valor elevado, todo ano, mesmo parado na garagem.

Seguro. O prêmio acompanha o valor do carro, o custo de reparo e o índice de roubo do modelo. Importado costuma pagar mais nas três frentes. Quem pretende comprar um carro de fora precisa cotar o seguro com a placa antes de fechar, não depois; a diferença entre modelos parecidos pode ser grande.

Combustível. O nacional flex permite escolher etanol quando compensa. Boa parte dos importados pede gasolina, e vários pedem gasolina premium. Some a isso motores maiores e o consumo por quilômetro pesa a favor do nacional na maioria dos casos. Exceção: importados híbridos, que invertem essa linha.

Manutenção e peças. Peça de nacional está na prateleira de qualquer autopeças, com várias opções de marca. Peça de importado tem menos fornecedores, às vezes prazo de importação e preço convertido de outra moeda. A revisão de carros importados feita em oficina especializada custa mais do que a de um nacional, mas costuma custar bem menos do que o conserto que ela evita; a conta ruim é a do importado sem revisão, que junta peça cara com pane fora de hora.

Revenda. Fecha o ciclo. O nacional vende rápido; o importado de boa marca vende bem para o público certo; o importado raro pode ficar meses no anúncio. Tempo parado também é custo.

Onde o importado ganha

Depois de tantas linhas contra, vale ser justo.

O importado entrega, em geral, mais segurança de série, mais tecnologia embarcada, melhor isolamento e uma experiência de dirigir que o nacional de preço equivalente raramente alcança. Para quem roda muito, isso vira menos cansaço e menos risco.

Há também a questão da durabilidade. Muitos importados, quando mantidos corretamente, passam dos 200 mil quilômetros sem drama. O ponto central é o “quando mantidos corretamente”.

E existe o cenário do seminovo. Um importado de três ou quatro anos, que já absorveu a maior parte da desvalorização, pode custar o mesmo que um nacional zero de categoria inferior. Nesse caso, a conta de cinco anos muda bastante, desde que o carro tenha histórico de revisão documentado e passe por uma vistoria em oficina especializada antes da compra.

Como montar a sua comparação

Não precisa de planilha sofisticada para comparar antes de comprar um carro. Uma folha com duas colunas resolve.

Escolha um modelo nacional e um importado que você realmente compraria, não versões abstratas. Depois, preencha as oito linhas acima com números reais: tabela de preço, cotação de seguro com a placa de um anúncio semelhante, alíquota de IPVA do seu estado, consumo declarado vezes a sua quilometragem anual, valor da revisão consultado em oficina, preço das quatro ou cinco peças de desgaste mais comuns e o valor de revenda de um modelo igual com cinco anos.

Some, subtraia a revenda, divida por 60. Repita para o outro carro.

Se a diferença mensal for pequena, a decisão passa a ser sobre o que você valoriza ao dirigir. Se for grande, o número já decidiu por você.

Conclusão

Quem usa o carro como ferramenta, roda muito na cidade e precisa de previsibilidade total de custo tende a se dar melhor com o nacional. Quem valoriza a experiência de dirigir, tem orçamento para as linhas recorrentes e cuida da manutenção com disciplina costuma ficar satisfeito com o importado por muitos anos.

O erro não está em comprar um carro nacional nem em comprar um carro importado. Está em comprar um carro olhando uma linha só. Faça a conta inteira e a resposta aparece sozinha.